O tempo é mesmo o senhor da razão. Vejam, criador da “taxa das blusinhas”, em vigor há quase dois anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que cobrar compras internacionais de baixo valor era desnecessário e prejudicou os menos favorecidos. É claro que o mandatário não assumiu a responsabilidade pela medida, botou a culpa no Congresso Nacional, mas um reconhecimento de culpa tímido e parcial é melhor que nenhum reconhecimento. O petista até declarou alguma contrariedade na época, mas foi dele a assinatura que colocou a regra na rua. Antes de seguir com as blusinhas, é bom lembrar que este recuo não será o primeiro deste ano eleitoral. Em março, o governo federal anunciou que iria zerar a alíquota de importação de mais de 100 produtos eletrônicos, que ele havia decidido taxar um mês antes. A explicação foi de uma decisão técnica, uma vez que os produtos não tinham substitutos nacionais. Mas só se percebeu isso depois da repercussão negativa? Sigamos com as blusinhas. A poucos meses de uma disputa eleitoral que se desenha dura para o chefe do Executivo, vem o choque de consciência e, claro, a promessa de aliviar a carga imposta por ele mesmo. Imagina o desgaste de ter que explicar em debates e sabatinas a ideia de cobrar 20% de imposto em compras até US$ 50. “Eu achava desnecessária [a taxação]. Porque são compras muito pequenas. Mas as pessoas de baixo poder aquisitivo é que compravam aquilo. E que ainda compram”, disse em uma entrevista publicada no Brasil 247 na última terça-feira (dia 14). “E eu sei do prejuízo que isso trouxe para nós”, completou. Ainda na partilha da responsabilidade, Lula jogou para os governadores a culpa pela elevação da alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). De janeiro a março deste ano, o governo federal arrecadou R$ 1,28 bilhão com o imposto de importação sobre encomendas internacionais. De acordo com a Receita Federal, o número representa um avanço de 21,8% em relação ao mesmo período de 2025. Isso em apenas três meses. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, vai na mesma linha. Ele, que passou a ser chamado de Taxad, entre outras variáveis ligadas a taxação, tributação e cobranças, afirmou no início deste mês que a cobrança foi criada em consenso com o Congresso e governadores. “A taxa das blusinhas não foi uma criação do governo do presidente Lula, mas dos governadores. Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas”, afirmou. Será que o da Bahia apoiou? Na última quinta-feira (dia 16), o ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, avaliou o imposto como um dos “um dos elementos mais fortes de desgaste do governo”, durante um café da manhã com jornalistas. “Quando essa matéria foi votada, eu achava que não deveria ser aprovada. Para mim foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, acho uma boa”, defendeu. Existem duas possibilidades sendo discutidas nos bastidores. Uma delas, a mais provável, é que se anuncie uma redução na tarifa, ou mesmo um desconto fixo de US$ 20 na cobrança. A outra, mais radical, tem o respaldo do grupo preocupado com as eleições: acabar com a taxa. É menos provável, mas, como diz o ditado, filho feio não tem pai. A guerra dos drones Os Estados Unidos perderam um drone de vigilância sobre o Estreito de Ormuz desde a semana passada. O MQ-4C Triton, que custa cerca de US$ 200 (o equivalente a R$ 1 bilhão) e retrata a diferença de estratégias militares entre os EUA e o Irã, que aposta em enxames de Mohajer-6, para vigilância e ataques leves, e o famoso Shahed-136, um drone suicida de fabricação própria que custa menos de US$ 50 mil. De um lado, o que se tem são ações precisas a alvos altamente seletivos. Do outro enxames que sobrecarregam as defesas aéreas adversárias. Abater um drone iraniano pode custar até 100 vezes o valor do equipamento. O Irã, por outro, encara como vitória, um único equipamento norte-americano derrubado, por conta do prejuízo causado. O problema é a Groenlândia Antes mesmo do problema com o Papa Leão XIV, a relação entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e a primeira-ministra italiana, Giogia Meloni, já não vinha bem. O relacionamento que chegou a ser marcado por gracejos de Trump em relação à beleza de Meloni começou a azedar com a ideia fixa dele de tomar o controle da Groelândia. Ali, a italiana que era simpática às ideias do norte-americano marcou posição contrária pela primeira vez. A veemente defesa que Meloni fez do Santo Padre na disputa com Trump só fez confirmar o afastamento. Trump e Borrachinha O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um entusiasta do MMA. Quando a modalidade esportiva era proibida no estado de Nova York, o magnata foi uma das principais vozes pela liberação. Desde então, costuma aparecer às vezes em eventos do UFC, uma das principais franquias do esporte de combate. Na noite do último sábado (dia 11), acompanhou parte das lutas e se impressionou com o brasileiro Paulo Borrachinha: “é bonito demais para ser um lutador”. Borrachinha disse depois o que ele disse a Trump. “Sou brasileiro e temos alguns amigos em comum. As coisas não estão boas no Brasil agora, então tivemos uma pequena conversa”, afirmou o lutador. Onde o robô vai parar? Na última semana, o Unitree H1, um robô humanoide da chinesa Unitree Robotics percorreu 100 metros em menos de 10 segundos. Em 2009, durante o Campeonato Mundial de Atletismo de Berlim 2009, Bolt bateu 9,58 segundos e consolidou sua posição como o homem mais rápido do mundo. A máquina que desafia os números de um dos grandes heróis do atletismo pesa 62 quilos e tem 80 centímetros de perna. É claro que a comparação com Bolt é meramente ilustrativa, porém os 10 centímetros ainda assim são um grande feito entre os robôs. Unitree H1 é humanoide bípede mais rápido do mundo e superou por muito Cassie, desenvolvido pela Agility Robotics, que tinha percorrido os mesmos 100 metros em 24,73 segundos. meme da semana Mal retornou ao planeta Terra e a cápsula da Artemis II já teria sido avistada chegando à cidade baiana de Feira de Santana, segundo a imagem do do meme escolhido para esta semana. A imagem é obviamente uma montagem, mas também podia não ser. (Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)
Rejeitada até pelo seu criador, ‘taxa das blusinhas’ pode acabar
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